“Tenho medo de te perder.”

A primeira vez em que escutei essa frase foi aos sete anos de idade, na escola, quando eu estava na iminência de me mudar para outra cidade a 1800km de distância. Pela primeira vez, eu me senti amada por alguém que não fosse da minha família. Talvez eu nunca mais veja a amiga que me disse isso, e nem sei se ela se lembra desse dia, mas sempre reconheci o valor daquela atitude tão sutil.

A ideia de perder alguém importante causa medo: às vezes conhecemos pessoas tão especiais que pensamos no quão difícil a vida poderia se tornar sem elas. Mas se a separação pela morte é dolorosa, perder alguém em vida é perverso. É saber que uma pessoa está lá, mas não faz mais parte da sua rotina por qualquer motivo vil.
Agir como estranhos na rua, seguir como se nada tivesse acontecido. E mesmo com todo o medo que temos disso acontecer, percebemos que as pessoas vão saindo aos poucos do nosso caminho. Ou porque foram embora, ou porque as deixamos ir, talvez cometendo um erro atrás do outro, ou simplesmente pelos rumos naturais que a vida tomou.
Só nos resta aproveitar enquanto as temos do nosso lado, mas sei que não há nada, às vezes nem mesmo um “eu te amo”, nada tão afetuoso e verdadeiro quanto um “tenho medo de te perder”.

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