Sonho de menina

Meu sonho sempre foi escrever.

Eu gostava de colocar no papel o que estava sentindo e de, na maioria das vezes, compartilhar com as pessoas. Por isso, desde criança, eu sabia que faria disso profissão.
Entre historinhas infantis e em quadrinhos que eu mesma fazia, lia semanalmente as colunas da Martha Medeiros na Revista O Globo. Eu me identificava com seus sentimentos e apreciava a forma como ela expunha as ideias. 
Definitivamente, era aquele o lugar onde gostaria de estar: escrevendo, para milhares de pessoas, que de repente, mesmo sem me conhecer, pudessem se identificar.
A coluna da Martha Medeiros tinha um e-mail para contato, e então, conversando com a minha mãe a respeito, eu pensei: “por que não?”. Juntei algumas doses de coragem e enviei uma mensagem contando das minhas aspirações quanto a escrever, e quem sabe ser uma jornalista, como ela.
Para minha surpresa, poucos dias depois, ela retornou.
Infelizmente, não tenho mais aquele e-mail, mas guardo na memória sua resposta.
Ela se surpreendeu com o fato de uma menina de apenas dez anos almejar escrever durante toda a vida. Pediu para que eu não desistisse, e que continuasse a fazer o que mais gostava.
Se ela ficou surpresa, eu, mais ainda: enviei um e-mail para a jornalista que admirava sem muitas pretensões e fui respondida com uma mensagem de incentivo.

A Martha Medeiros podia não ter respondido o e-mail de uma criança.
Mas ela fez questão de me encorajar.

A escritora que tanto admiro não sabe, mas ainda escrevo, e tenho na lembrança a simpatia que ela direcionou a uma desconhecida.
Aprendi com ela.
Podemos ser simpáticos com pessoas que não conhecemos. A Martha não gastou dez minutos do seu dia respondendo à garota que queria escrever. Às vezes não perdemos muito tempo e tomamos atitudes simples que, assim como nunca esqueci aquele e-mail, podem marcar para sempre.

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