Seis graus da separação

Desligar-se é um processo. Não acontece de repente.

Não se acorda com um sentimento desses fora do peito.

Desligar-se vem da nova rotina, é o resultado de um reaprendizado. Sim, porque se aprende novamente a viver, sem a mesma pessoa, sem os mesmos hábitos…
Sem esperar os mesmos telefonemas, as mesmas mensagens.
Você se permite ao vício, e depois precisa desviciar-se. Na marra, porque se desacostumar com o que tinha de bom – mesmo em uma relação desgastada – não é e nunca foi fácil.
Começa a ver graça em coisas novas, ou naquilo que tinha ficado esquecido durante certo tempo.
Desligar-se é um processo. É quando se acorda assustada no meio da noite e não deseja mais o colo da mesma pessoa; quando antigos projetos de vida começam a ganhar força novamente, mesmo sem a companhia de antes. Quando se levantar toda manhã deixa de ser um sacrifício baseado no “mais um dia sem…”. Quando consegue se divertir com amigos sem pensar sobre como seria melhor com aquela pessoa.
Prefiro não dar muitos nomes; não gosto de usar ‘esquecer’ ou ‘desapegar’. Como esquecer quem um dia foi importante? Apagar da mente e do coração quem marcou a vida pra sempre?
Assim como ‘desapegar‘ passa a ideia de que se perdeu a afeição. Quem se desliga, não mata o carinho: consegue seguir sem a mesma culpa, permite-se conhecer outras pessoas; pode, finalmente, conviver consigo mesmo sem a tormenta da solidão.
Entre tantas palavras para descrever o mesmo, a única coisa que podemos fazer é desfrutar dos momentos especiais com quem está do nosso lado. Afinal, nunca sabemos quando e se a vida vai nos obrigar a ter de nos desligarmos.

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