Realidade paralela

E se eu tivesse dobrado outra esquina,
estudado em outra universidade,
trabalhado em outro lugar?
E se eu frequentasse outros grupos
(também na vida virtual),
estivesse comprometida quando nos encontramos,
não tivesse dado meu telefone?
Só que eu sorri na hora certa, e você retribuiu na mesma medida.
E mesmo sabendo que tudo se encaixou,
vem aquele medo bobo de não ter te conhecido.
É que quando você gosta de uma pessoa,
e gosta mesmo,
a ponto de não querer imaginar um futuro sem ela,
as possibilidades fantasiosas se tornam assustadoras.
Me assusta pensar em outra realidade
em que eu não atendesse suas ligações,
não lesse suas mensagens e nem ansiasse por te encontrar.
Já que nossas ações nos trouxeram até aqui,
meu coração se enche de alívio.
Mas igualmente se torna, mesmo de forma tola, preocupado,
pelo que de repente poderia não ter acontecido. 

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