A última vez

Na minha razão, eu já sabia que você iria embora.
É assim mesmo… Tudo que começa, acaba um dia.
Toda vida que nasce, tem um fim.

Em uma das últimas vezes que te vi, eu jurei que teria coragem.
Porque sempre tive essa vergonha boba, esse medo infundado.
Eu me prometi que agradeceria pelo incentivo com minha carreira, minha música, minha faculdade.
Pelos lembretes de aniversário, pelos filmes que a gente sempre via.
Eu diria um muito obrigada do tamanho do meu carinho.
Mas soaria como uma despedida…
E eu não queria me despedir.

Então eu fui mais simples:
“Vó, eu te amo”, disse, casualmente, ao sair,
como eu não me lembro a última vez de ter feito.
Fui comedida, mas mesmo assim disse aquilo com certo esforço.
Não é que tenha faltado afeto:
é que qualquer um dominado pelo coração
fica travado em situações de adeus.
E eu sabia, na minha razão,
que seria uma das últimas vezes.

Mas o meu coração não queria saber.
Hoje, quando eu soube que você tinha ido descansar,
toda a racionalidade foi embora.
É natural, faz parte – eu sei.
Só que dói assim mesmo.

Vai em paz, vovó Maria…
Eu nunca vou te esquecer.

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