Seis anos após

Uma amiga disse:

“Ele me incentivou tanto a comprar um violino,
a aprender a tocar, a seguir meu sonho.
E agora que ele foi embora,
eu não consigo mais…
Eu olho para o instrumento e me sinto vazia.
Não consigo estudá-lo, não sei o que fazer.
Eu só tenho vontade de chorar.”
Hoje, 13 de agosto,
faz exatos seis anos que eu ganhei meu primeiro violão.
Era um dia comum,
não era natal, nem aniversário,
meu pai simplesmente me fez um agrado.
Depois disso, veio o outro violão, as composições, a banda, o estúdio em casa, o baixo.
Eu me tornei a musicista que sou a partir daquele presente.
Mas eu comecei igualzinha a você.
Porque, dadas as devidas proporções,
eu também havia sido incentivada por uma pessoa
que não fazia mais parte da minha rotina.
Que foi embora antes mesmo de eu fazer meu primeiro acorde.
Eu também olhava para o meu violão e, embora feliz pelos avanços,
eu não podia dividir com quem primeiramente me impulsionou.
Só que transformei a tristeza em garra e a saudade em obstinação.
Eu compus boa parte das minhas melhores músicas naquele período,
e me sentia tão determinada que pouco tempo depois fiz minha primeira apresentação.
Eu fui com tudo porque eu sabia desde sempre
que, quando acontece algo assim,
é a melhor hora para se agarrar à perseverança.
Eu descobri que a gente tem que fazer alguma coisa com os momentos ruins.
Eu não gosto de usar lugares-comuns quando eu escrevo.
Mas foi exatamente o que aconteceu comigo:
eu descobri em mim o talento e a vontade que talvez eu não saberia que tinha
se eu não estivesse tão determinada a transformar a situação.
Não posso fazer nada além de te aconselhar e dividir minhas experiências.
Mas guarde isso no seu coração:
Se depender de mim,
você será uma grande violinista.

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