Hoje quis chorar

Quis simplesmente entrar debaixo do chuveiro e permanecer ali, protagonizando mais uma cena de quem mistura suas lágrimas com a água de um banho, lugar-comum de qualquer livro ou filme.

Só que era vida real.

Sabe, eu queria de alguma forma me sentir renovada e sair de lá outra pessoa. Talvez por ter percebido o quanto todo aquele drama era inútil, talvez por ter chorado tudo o que devia.

Mas não era um choro de revolta, não.

Nem exatamente de tristeza. O coração aperta, mas eu não o dei o direito de sofrer… Na verdade, ele já estava preparado, anestesiado. Só alguma parte de mim que não entendeu…

E nem era um choro de raiva… Ou de ressentimento…

Era um choro de quem queria colo.

Choro do desejo quase impossível de ter alguém que abraçasse e dissesse: “estou contigo pro que der e vier…”. E que realmente quisesse ficar.
Ou ainda, que PUDESSE estar.

Choro que mostrou a fragilidade de criança quase esquecida em todos nós. Aquela que tem medo de escuro e que esconde a cabeça com o cobertor.
Só que o MEU medo não vinha da falta de luz e nem de monstros imaginários que habitam o armário. Na verdade, acho que era medo de mim…

Hoje quis chorar.
Mas amanhã eu vou sorrir…

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