O primeiro encontro após a declaração

Em tempos de internet, feliz ou infelizmente as mensagens são nosso primeiro passo rumo ao desconhecido. Porque dizer “ei, quero você” olhando nos olhos não é tão fácil como deveria: e então são os dedos que teclam aquilo do que o coração está cheio…

E para os saudosos da confissão inicial cara a cara, aqui vai algo que talvez traga algum conforto: que delícia é o primeiro encontro após o desabafo da paixão — mesmo se tiver sido feito online. É se perguntar, em uma quase descrença cheia de adrenalina: “então foi ela mesma a dona daquelas palavras?…”, “então é ele que tanto almeja meu carinho?…”.

É olhar e entender da forma mais gostosa que quem está à sua frente realmente é aquela pessoa que te fez ficar acordado até tarde no dia anterior dizendo tudo o que trazia no peito. Sim, é ela! Não adianta disfarçar a vontade do abraço em uma noite de sexta-feira chuvosa, nem fazer charme fingindo que não é contigo, porque bom mesmo é se encarar com a afeição e o desejo que o momento merece.

Bom, mesmo, é ser invadido pela mágica que acontece nesse primeiro encontro: quando quem você já gostava pessoalmente e quem disse que também te quer se unem na mesma pessoa diante do seu par de olhos vidrados. O entrelaçar dos braços ganha um quê a mais, o beijo tímido na bochecha é incrivelmente delicado.

Quem foi que disse afinal que as conquistas perderam a graça nesta época?

Porque não importa o quanto a gente tenha dito palavras bonitas sem ser pela boca, o quanto nós tenhamos colocado em texto a necessidade do abraço: nada me tira da memória aquele primeiro encontro, em que externalizamos por toque cada sentimento nosso.

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