Não sei guardar mágoa de ninguém

Sempre fui confortada ao procurar alguém após uma briga. Contava as histórias em casa ao que minha mãe respondia, tão condescendente: “Ah, Bela, mas ninguém vive sozinho…”.

Eu discordava concordando; realmente acredito que há quem não se sinta desolado no silêncio. Àqueles que não se intimidam em frequentar, sem companhia, as salas de cinema, nutro verdadeira admiração. Não fazem questão de pessoas por motivos diversos: timidez, orgulho, falta de opção ou mesmo por terem se cansado delas.

Nunca pertenci a esse grupo.

Gosto de gente e poucas coisas me amedrontam tanto quanto permanecer brigada com alguém. Faço parte do time da bandeira branca não por carência ou falta de amor-próprio, mas por estabelecer uma sinceridade tão profunda comigo mesma que não resta escolha além de eliminar qualquer resquício de mal-estar banal.

Costumo oferecer braços abertos depois de desentendimentos e não acho que signifique fraqueza de espírito, mas fé nas relações.

E vejo que, de fato, não são poucos os que se sentem melhor pondo o orgulho no topo de suas razões. Mas se ter me moldado assim com o tempo me fez retomar amizades praticamente perdidas, arrancar um sorriso em meio a momentos de tensão e ser lembrada como alguém fácil de lidar, continuo a ser quem primeiro procura depois das desavenças. Eu me recuso a viver sozinha não por achar impossível, mas por nunca ter compreendido, em toda a minha ingenuidade, a supervalorização que se dá ao ressentimento.

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