Dilema pós-término

Eu lembro em 2013, prestes a romper meu primeiro namoro. Meu melhor amigo – meu pai – entrou no quarto, sentou ao meu lado e disse: “Vocês ainda poderão conversar… Você pode mandar uma mensagem do tipo, ‘Oi, como você vai?’, ou ‘Ei! Olha o novo vídeo da minha banda!’. E só… Vai se acostumar a não vê-lo mais como namorado”.
Foi aí que doeu. Quando caiu a ficha de que todo aquele sentimento escaparia entre meus dedos como areia.
Imaginar o depois, aquela parte após o fim em que o amor da gente se esvai, me matou por dentro.

Eu sabia
que não saberia tratar assim
alguém com quem dividi a vida.
Sabia que se forçar a ser amigo de quem a gente quer mais, principalmente sendo recíproco, é facada certeira.
E se der uma chance pra outro tipo de relacionamento… até que de boa vontade…
Como construir uma amizade
por cima de um amor desfeito?
E sobre fingir ser estranho
de quem já lhe tomou o peito?

Um dia acordei e percebi que a vida havia tratado de encaminhar os destinos… Talvez Deus tenha cuidado da gente, derramado serenidade sobre nossos caminhos.
Mas a cada recomeço
é sempre o mesmo dilema
entre tentar ser amigo
e buscar a solução na indiferença:
mas sobre essa história de dar as costas de vez…
Será que vale a pena?

Comentários