Nem sempre só deixou de ser amor por não ser mais novidade

A gente não se apaixona por causa de nada, mas apesar de tudo, apesar do mundo completamente estranho a nós que é outra pessoa.
 
Não adianta dizer que não é estranho, porque só conhecemos alguém em momentos de ~crítica & crise~. Antes disso, a gente acha que conhece baseado exatamente nisso: em nossos achismos. (E relaxa, isso não é nada anormal.)
 
Permitam-me abrir um parêntese sobre Nietzsche, que era incisivo na inexistência do amor. Ele acreditava que nunca se amava necessariamente a alguém, mas sim às próprias sensações desencadeadas por nossas fantasias. É como levar um tapa na cara. Quer dizer, eu passei a vida inteira achando maravilhoso que tivéssemos a capacidade de conhecermos pessoas e nos apaixonarmos por elas em diferentes épocas, pra ler um dia que a gente gosta na verdade é do desejo.
 
Agora imagina que esse êxtase simplesmente nos abandone. Talvez porque tenhamos tido tempo para conhecer melhor esse alguém – ou não.
 
Isso acontece. Às vezes pega a gente do nada.
 
A outra pessoa continua legal – ou não. Continua interessante – ou não, também. Só que simplesmente não bate. Não tem mais liga. Acabou. Não era uma mentira. Só deixou de ser verdade. E aí a gente parte. Sem enrolação, sem esperar meses pra ver se é isso mesmo enquanto a outra pessoa não sabe de nada, sem mea-culpa, porque tem consciência de que o desencanto pode atingir a qualquer um nessa nossa imperfeição terrena.
 
E aí, sabe… Eu parei de criminalizar quem pegou as coisas e saiu de cena. Comecei a ter um pouco mais de generosidade a respeito disso. Atualmente chego até a achar honesto. Agora se isso é uma confirmação do que Nietzsche dizia, eu não sei. Hoje eu acredito que o amor é muito mais do que permanecer, se você de fato não quer; vai além de ficar junto simplesmente por temer cobranças por ter abandonado o barco, de um choro incompreendido na internet baseado em copia e cola insinuando sua vilania dizendo que você foi embora só porque a relação deixou de ser novidade.
 
Às vezes, ir embora é também manifestação de amor. Que seja um ato de amor próprio: a maior prova de lealdade a nós mesmos.

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