Você é idiota nas suas relações?

Há muitos anos assisti a um filme chamado “Quebrando a banca”, que falava sobre estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachussetts que – adivinhem só – quebravam os cassinos de Las Vegas memorizando as cartas que já haviam saído do baralho, conseguindo prever as que ainda apareceriam e assim levando uma certa vantagem sobre a mesa. Isso não era crime, mas os cassinos se incomodavam tanto quando percebiam ações suspeitas dos estudantes que os expulsavam. De toda forma, pessoas ganharam milhões aplicando esse golpe: tanto no filme quanto na vida real. Em “Quebrando a banca”, o personagem principal, Ben, acaba se envolvendo em algumas confusões no meio de tanto dinheiro e festas em Vegas. Depois de tudo, da ascensão ao declínio, de mentiras e riscos de vida, Ben precisa contar a verdade para a família e, nos minutos finais do filme, que é narrado por ele, há uma passagem mais ou menos assim: “Eu disse tudo pra minha mãe e, bem… Ela continuou me amando assim mesmo”, disse, enquanto os dois apareciam na tela rindo juntos.

É isso! Não importava mais se o Ben tinha mentido, mudado com os velhos amigos e com os parentes, viajado pra um lugar dizendo que iria para outro,… o afeto era incondicional. Embora incomparável, depositamos sentimento relativamente parecido em outras pessoas que não sejam da nossa família. Pessoas que nos magoaram, mas que não as deixamos porque elas se arrependeram.

Nesse entra e sai de gente da nossa vida, é impossível que ninguém nunca pise na bola – isso inclui a nós mesmos. É permitido usar clichês? Atire a primeira pedra quem nunca… Pois é. No fim, todo mundo acaba saindo triste em um ou outro momento. Normal em relações. Só não aceito, nunca mais, que me firam deliberadamente porque “eu vou continuar gostando assim mesmo”. E, sim, há pessoas que fazem isso. Real. Há aqueles que perderam suas vergonhas em algum lugar e se acomodaram sob o afeto. E que a qualquer sinal nosso de indiferença ou até mesmo de revide (somos de carne e osso, afinal) às suas palavras pesadas, ainda tentam transferir a culpa pra nós. Se você sabe como é, então… não seja essa pessoa.

Faz algum tempo, correu uma tirinha no Facebook com um diálogo parecido com “Por que você continua tratando as pessoas bem mesmo quando elas não são legais contigo?” “Porque isso é defeito delas, não meu”. Não sei – e nem caberia a mim qualquer lição a respeito – se é essa a postura ideal. Mas também não acho válido, em um mundo que já vem sofrendo tantas injustiças no curso da História, achincalhar aquele que estende a mão por seu próprio infortúnio em relacionamentos. Responsabilizemos os legítimos culpados, ora. Aqueles que ludibriam, desdenham das nossas conquistas, censuram, maldizem pelas costas e tratam nossas angústias e perdas como se não fossem nada. São eles que devem explicações sobre seu comportamento, não os que permanecem de peito aberto porque, mesmo que por ingenuidade exagerada, ainda acreditam em pessoas.

Eu ainda acredito em pessoas.

Ainda acho que nossas liberdades com qualquer um que seja vão até certo ponto – o limite do bom senso – e, depois dessa linha, a gente tem que pisar com ainda mais cuidado. Ainda acho que segredos são mesmo segredos. Que nem tudo aquilo que se pensa deve ser dito exatamente da mesma forma que a mente concebe. Que preconceitos podem ser revistos em vez de passados adiante. Que ofensas gratuitas não são críticas construtivas e é estúpido tentar travesti-las assim. Que nem tudo referente ao estilo de vida do outro se resume simplesmente a escolhas. E independentemente do sentimento de alguém continuar grande por mim apesar de eu ser imperfeita… ainda acho que justamente por sermos seres sociáveis e sabermos que é impossível encontrar a felicidade sozinhos, que fundamental é mesmo o RESPEITO.

Mesmo assim, falho. Mas tento, pelo menos, não ser idiota.

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